É uma das afecções cirúrgicas mais comuns na criança e adolescentes, sendo discretamente mais frequente nos meninos, mas, pode ocorrer em crianças menores dos 4-10 anos. Apesar de mais rara nas crianças menores, abaixo dos 4 anos, as complicações nesta faixa etária são mais frequentes e graves, visto o retardo no seu diagnóstico.
Sua história típica é de febre baixa, vômitos variados seguidos ou concomitantes a DOR abdominal (que no início é indefinida), em todo abdome, pode parecer cólica (vontade de avacuar), e até ser intermitente, geralmente que melhora com analgésicos no início. Esta evolução dura de algumas horas até 12-24 horas, sempre evoluindo com piora do quadro doloroso levando a sua localização no quadrante inferior direito do abdome
(região da Fossa Ilíaca Direita).
Algumas crianças não apresentam esta sequência de queixas, princialmente as menores de 5 anos. Vômitos podem ser os sinais iniciais acompanhados de dor muito tênue já localizada na região do quadrante inferior direito do abdome. Outras vezes, pode ocorrer dor acompanhada de fezes amolecidas, febre seguida de náusea. Nos bebês abaixo de 2 anos, o que é mais raro, o quadro inicial pode se apresentar com distensão abdominal, vômitos e dor à palpação do abdome.
Outra dica importante é observar a criança. Um bebê que se retorce de dores dificilmente terá apendicite (uma exceção pode ser quando o apêndice está localizado por detrás do Colo, irritando o Ureter simulando uma cólica renal).
Como exames subsidiários para o diagnóstico de apendicite aguda, apesar de questionáveis por alguns, pode solicitar um Hemograma, onde é de se esperar um aumento do número de Leucócitos. Pede-se também um exame de Urina tipo I, para fazer diagnóstico diferencial com infecção do trato urinário.
Um exame que se popularizou e é exageradamente solicitado pelos médicos é o Ultrason.
Este é um exame perfeito, quando mostra o Apêndice, e nas mãos de profissional experiente.
Mas, quando não se vê nada, nem sinais indiretos de inflamação local, este exame pode causar muita dor de cabeça. Cabe ao cirurgião, exclusivamente, decidir, baseado em suas informações clínicas e de exame físico, se o tratamento cirúrgico se impõe ou não, pois muitas crianças são operadas na hora certa com estes exames todos normais. Enquanto outras são operadas tardiamente, já com complicações, pois o Ultrason era “normal” ou não “se via nada” !
Em Medicina dizemos que a Clínica é soberana, isto é, nada substitui o “olho” clínico (... E a mão do cirurgião, é claro !).
Existem outras patologias que podem se manifestar inicialmente como apendicite, como é o caso das infecções de vias aéreas superiores (IVAS), que dão frequentemente dor abdominal e febre. Na ultrassonograifa aparece gânglios na região do apêndice ao qual chamamos de Adenite Mesentérica. Outros diagnósticos diferenciais: infecções urinárias, gastroenterocolites (GECA), inflamação da vesícula biliar (colecistite), cálculos renais ou ureterais, tumores, invaginação intestinal (íleo-ceco-cólica), doença de Chron, hemopatias (anemia falciforme, púrpura de Schönlein-Henoch), e muitas outras.
A cirurgia é o tratamento correto para a Apendicite Aguda !
Existem alguns casos mais raros em que a cirurgia é postergada, e a antibioticoterapia de largo espectro é instituída, no caso da Apendicite Hiperplástica (discutiremos adiante). Uma pequena incisão é feita na região do quadrante inferior direito (ponto de McBurney). As crianças tem média, alta em dois ou três dias, conforme o caso. O período de internação é mais longo se houver complicações. Quanto a abordagem através da Video-laparoscopia, esta se tornou muito difundida em nosso meio, levando até a exageros de sua indicação. O que ocorre, é que sua utilização acaba sendo de alto custo quando comparado com o método aberto nas fases iniciais da doença, onde uma pequena incisão (2-4 cm), pode resolver muito bem como fazemos nos últimos 10 anos.
De maneira indiscutível, é sua utilidade nas fases mais adiantadas (peritonite e perfuração), pois a câmera e as pinças se mostram muito mais eficazes para a identificação do local, limpeza da cavidade, etc, superando em muito as desvantagens de grandes cicatrizes e sua morbidade pós-operatória, coisa que na vídeo-laparoscopia as vantagens são incomparáveis !